Me lembra que você é um ser humano!

Por Louise Göransson

Um dia, numa aula de ballet clássico, na sede do Grupo Corpo – em BH – o maître Elias Bouza lançou esta frase. Estávamos diante de uma bailarina de altíssima técnica, e na precisão de seu movimento, o professor entoou: “ME LEMBRA QUE VOCÊ É UM SER HUMANO!!!”
Fotografei na memória aquele instante, e as risadas com olhos esbugalhados que ele provocou. Em seguida agradeci. Ele convocava a ela – e todas nós. A forma – vazia – não bastava. Ele clamava, descontraído, por aquilo que nos definiria como humanos… Os olhares refletidos no espelho entregavam que a mensagem não havia deixado dúvidas.

O que poderia ser mais humano do que a habilidade de nos expressarmos?

Aquela inteligência do afeto, onde sentimos e traduzimos ao mundo um pedaço do nosso interior?

Aquele dia agradeci, pois o mestre bailarino tinha me deixado uma pista valiosa:
estava Eu, sendo humana em minha vida?

Será que a gente sabe o que faz da gente, HUMANO? E, quando sabe, será que a gente vive como tal?
Porque as vezes (muitas vezes) a gente endurece. E tenta virar máquina.
Mas é isto aqui o que nos diferencia: o bicho homem sente, e expressa – cognitivamente e reflexivamente – o que percebe. Particularmente, acho que esse é o nosso super poder.
A inteligência do afeto
‘Saber lidar com emoções’ – tanto as suas como a dos outros – é uma das competências mais valorizadas – até mesmo no mundo corporativo – e (ainda) menos treinadas. Gostamos de ver quando algúem é autêntico e nos inspira! Mas ao pensarmos em nos expor na arena da vida, não parece o bastante. E se? Será que vão me entender?
Brené Brown – professora e pesquisadora norte americana – fala que, frente a isso, a saída é fazer do ato de “ir pra arena” o objetivo final.
É sobre entrar. Não sobre o que acontece depois disso.
E assim, valorizar e contar vitória a cada vez que você entrou e contou pro mundo, um pouco do seu mundo.
Claro, precisamos de alguns contornos para poder dar esse salto de coragem pra vida.

Se é muito difícil para você, talvez lhe faltem alguns desses contornos. Dessas percepções de si mesmo que apoiam e asseguram a nossa identidade, para que possamos ouvir as nossas emoções e traduzi-las. Caso contrário, seremos só arrastados por elas. E aí, a tal da inteligência do afeto estará meio as avessas.
Por isso, se para você é difícil, comece do começo.
Esta tudo bem. Isto é mesmo um aprendizado, e nunca é tarde para começar a aprender. Perceba o seu mundo emocional. Não se cobre. E encontre espaços para poder desvendar ele, com apoio e clareza. Os atendimentos de psicoterapia são um espaço especial para isso. A
Agora se para você isso já não parece tão impossível, e se lhe falta só um empurrão…Está aqui o seu empurrão!
Bora! Vai lá, o sol ta alto e o mundo precisa conhecer a sua voz! Precisa mesmo. Não é só você quem precisa dizer, o mundo também precisa te ouvir. Te encontro lá, beleza?
Com amor,
Lou